Modelo que concorre na faixa das opções mais populares vem mantendo a sua força no mercado
Apesar da última “reestilização” da S10 ter trazido pouca evolução para o modelo, a S10 continua disputando forte o segundo lugar com a Ranger. Até agosto de 2025, segundo a Fenabrave, o modelo já havia emplacado 18.767 unidades contra as 21.702 unidades da adversária.
Nessa faixa em que ela concorre, com maior apelo comercial da indústria e do agronegócio, ela já chegou recentemente a ultrapassar a Ranger, e em alguns meses ficou atrás dela apenas por não ter unidades para entrega.

O modelo é conhecido pela sua robustez e manutenção barata, sendo a única entre as três primeiras em emplacamentos, que inclui a Hilux, que não tem apresentado os temidos problemas de motores causados pela nova composição do diesel S10, que teve um forte aumento da parcela de biodiesel. Assim, mesmo sem uma atualização mais profunda, ou um lançamento novo e mais renovado, como fez a Ford com a Ranger, ela continua muito bem posicionada.
Até ontem, ela já tinha emplacado este mês 924 unidades contra 1.086 da Ranger, uma diferença de apenas 162 unidades, mesmo ainda sofrendo com a disponibilidade de unidades para entrega. Lembrando sempre que emplacamento é diferente de venda. O emplacamento só ocorre com a entrega e o licenciamento do veículo, e, desta forma, é possível vender 1.000 unidades de um modelo num mês e essas vendas se refletirem depois, até em mais de um mês, dependendo de quando as unidades serão efetivamente entregues e licenciadas. Sendo assim, as avaliações mensais que alguns sites fazem são completamente equivocadas, pois não refletem a realidade de fato.
Recentemente eu estive na Adara Chevrolet de Campinas. A minha intenção era conhecer de perto a edição comemorativa da S10 100 Anos.
Não havia disponibilidade desta versão, mas havia uma unidade de demonstração na versão mais completa, a High Country.
Gostei muito do espaço interno, do painel muito moderno, das rodas e dos pneus oferecidos. O design sempre será uma questão de gosto, e a sua frente não me empolgou muito, parecendo um pouco confusa e sem uma identidade bem definida, mas longe da frente que considero mais feia hoje que é a da atual Ranger.

Mas, senti falta de uma suspensão multilink. Esse arranjo já foi provado ser eficiente e muito confiável, equipando com sucesso a Frontier e a Ranger Raptor no Brasil, além da RAM, do Gladiator e de algumas picapes chinesas que estão chegando ao mercado. Lá fora a Toyota Tundra, a mais bruta da marca, também mudou para a suspensão multilink com sucesso. Outros modelos também oferecem opções semelhantes. Infelizmente no Brasil há pouco conhecimento sobre as qualidades e as vantagens deste conceito.
Pelo preço da S10 High Country, achei que faltou também um sistema de freios a disco nas quatro rodas, algo muito importante hoje não só para melhor desempenho de frenagem, mas para uma atuação mais precisa do controle de estabilidade.
Um sistema de câmeras 360° também podia fazer parte do pacote, mas não está disponível nem como acessório. Um teto solar também cairia bem pelo preço cobrado.
O vendedor me disse que estas ausência decorrem do conceito mais “raiz” do modelo. Há muito tempo as picapes deixaram para trás a simplicidade tecnológica, e passaram a oferecer recursos presentes até em carros sofisticados, porque além de hoje a picape ser utilizada de forma mista ou até particular, quem quer adquirir uma para trabalho ou para uso em sua fazenda também merece ter conforto e segurança, ou não?
Os fabricantes podem até lançar modelos “básicos”, mas que o façam com um preço também inferior. Uma caminhonete com preço de tabela de quase R$ 340.000,00 merece uma maior sofisticação. Tem picape vendida hoje aqui por R$ 255.000,00 com suspensão multilink, freio a disco nas quatro rodas e até teto solar elétrico, sem perder as qualidades de uma verdadeira caminhonete confiável 4X4 para usos intensos e severos.
Apesar da justificativa de conceito mais “raiz”, contraditoriamente a S10 adota um painel muito bonito e sofisticado com telas digitais destacadas.
Mas, é preciso entender que tela multimídia não é tudo num carro. Hoje o comprador de um veículo se prende demais às telas, e quando entra num carro para conhecê-lo, parece que a quantidade, o tamanho e as cores das telas são tudo o que importa. Isso precisa mudar.
A Chevrolet tem mostrado que a S10 continua sendo um produto forte de sua ampla linha de produtos, bastante competitivo e com uma confiabilidade que poucas têm hoje, mas poderia melhorar um pouco mais o pacote.

Mudou nada, só perfumaria. Hoje só mexem um pouco na potência, colocam umas telas a mais e dizem que é outro carro. Mas, ainda é uma boa caminhonete, mesmo sem evolução, melhor que a Ranger com certeza.